Alicerces Estruturados
Numa época em que os alicerces econômicos de todas as nações sofriam o abalo da crise de 1929, a crise da então Vitivinícola Garibaldi, (já então, havia mudado a denominação por força da nova legislação), era a falta de produção. Os vinhos fabricados pela entidade eram disputados entre os melhores vinhos nacionais e os resultados se faziam sentir satisfatórios, apontando já então os dirigentes, as normas doutrinárias que norteavam a organização.
O ritmo ascendente evidenciava a certeza dos fundadores.
O cooperativismo era e é ainda a única arma de defesa dos desbravadores, e no campo econômico era única forma de reajustar a produção ao consumo. Realmente o futuro da sociedade era grandioso. Os 300 associados que se pretendia para 1935, foram 416. Novos serviços foram sendo atendidos pela organização. O fornecimento de material aos associados proporcionava a estes um benefício quase equivalente a 100 réis por medida de vinho.
Em 1942 a guerra, que ainda prosseguia, embora à distância, veio refletir-se na falta de transportes para os produtos da entidade. Isso não impediu, no entanto, que a entidade pensasse seriamente em montar engarrafamentos nas principais praças consumidoras e em aumentar a sua cantina central.
Decorreram os anos. A guerra terminou. O mundo todo respirou aliviado. Todos os homens empreenderam o trabalho da renovação da terra para a colheita das fartas safras da paz.
Já em 1947, fazia-se a constatação obvia. O associado da cooperativa recebeu 141% a mais do que o produtor não cooperativado, pela sua produção de uvas. E esse fato iria repetir-se muitas vezes pelos anos seguintes. Além da cantina central, a cooperativa já dispunha de 16 postos de vinificação pelos municípios de Garibaldi, Bento Gonçalves e Farroupilha. Fabricava-se o conhaque, o vermute e os quinados. Tudo para dar vazão ao produto do associado e para fornecer ao consumidor bens de consumo condizentes e de real qualidade.
Mas o tempo passa e os homens passam...
O Dr. Paulo Monteiro de Barros, dedicado propagador da organização, falecido na capital da República. Ele fora idealizador, o defensor dos interesses dos agricultores, o incentivador constante na batalha da emancipação.
No relatório de 1948, deparamos com a notícia da existência de um fenômeno que, pela primeira se fazia notar e traria graves conseqüências à economia do país: a inflação.
A venda do vinho sofreu sensível queda. O velho problema do custo de vida trazia inevitável conseqüência para a indústria do vinho: abono dos artigos não essenciais.