
Muito se tem dito sobre o grande malefício que o consumo excessivo de álcool provoca no ser humano, quer pela agressão física propriamente dita, traduzida por lesões orgânicas difusas, como pelo comprometimento psíquico e moral. No primeiro caso sobrevém a degradação do corpo; com o segundo, o desequilíbrio e a dependência, culminando com a desestruturação familiar e social.
Não pretendemos excluir o vinho do rol das bebidas alcoólicas capazes de fomentar esse quadro. Porém, uma série de razões nos leva a crer que, utilizado com o devido cuidado, pode não somente ficar absolvido desse suposto "crime", como se transformar em elemento coadjuvante na manutenção da saúde.
Estudos ponderados promovidos por centros médicos conceituados, trataram do assunto sob o ponto de vista físico-químico, biológico, clínico e estatístico, chegando à conclusão de que o vinho pode até beneficiar a saúde se consumido moderadamente.
Como se sabe, o vinho é o produto da fermentação do mosto da uva e que depois de pronto pode passar por um período de amadurecimento em barricas de carvalho, sendo depois engarrafado permanecendo algum tempo em repouso na adega da vinícola antes de ser comercializado. Nessas condições, além dos componentes inerentes ao fruto que lhe dá origem, ele agrega à sua composição, um sem número de outras substâncias formadas durante a fermentação, além daquelas originadas no período de madeira (reações de oxidação), e no envelhecimento em garrafa (reações de redução). Portanto, trata-se de uma bebida de estrutura complexa, "viva", em constante evolução, que apresenta características diversas nos diferentes momentos de sua "jornada". Essa é a grande e sedutora magia dessa bebida.
Muitas das substâncias que o compõem fazem parte da dieta normal do ser humano, motivo pelo qual é lícito considera-lo como complemento alimentar. Outras possuem ação terapêutica, levando a crer que na dosagem adequada pode agir como auxiliar medicamentoso quer curativo, quer preventivo.
Autor: Dr. Daniel Pinto (Médico e Diretor de Degustação da SBAV-SP)
Fonte: http://winexperts.terra.com.br/arquivos/saude4.html